Cheguei ao jiu-jítsu pelo caminho que muita gente chega, buscando presença em algo sem botão de desfazer. Quinze anos construindo software, a maior parte deles como engenheiro sênior. Uma mente treinada para ver sistemas e padrões. E um corpo que passava doze horas por dia sentado.
O que eu não esperava era descobrir que as duas disciplinas operam sobre princípios estruturalmente parecidos. Código e tatame são, ambos, sistemas complexos com feedback imediato e honesto. Erros aparecem rápido. Soluções precisam ser testadas. Intuição sem método é perigosa em ambos.
O que me travou por anos no BJJ foi exatamente o que ninguém me ensinou a procurar: eu estava aplicando força de vontade a um problema que pedia arquitetura. Treinava mais, fazia mais drills, competia mais. E os resultados não correspondiam ao esforço.
Quando comecei a estudar a literatura de aprendizado motor, empurrado inicialmente pela frustração, depois pela curiosidade, encontrei um corpo de pesquisa enorme, consistente, e quase totalmente ausente do mundo do BJJ. Anders Ericsson, Robert Bjork, Matthew Walker, Carol Dweck. Décadas de ciência séria sobre como humanos adquirem habilidades complexas.
Nenhum desses nomes estava em nenhum manual técnico de BJJ que eu tinha lido. E deveriam estar em todos.